sexta-feira

Vidinha 2

Arnaldo acorda atrasado, programou o celular para as seis da manhã e já são seis e quarenta, sabe que vai enfrentar filas e congestionamento por isso - porcaria de celular.
Levanta-se correndo, pensa em fazer um café, olha pra pia e o coador está sujo com um cheiro estranho, desiste não tem tempo, vai para o ponto de ônibus.
Já são sete da manhã e seu compromisso é ás oito horas e nada do coletivo, essa expressão sempre foi real, mas hoje com mais de quarenta pessoas na parada, espremer-se para subir não é tarefa fácil. Sete e quinze, lá vem o ônibus(lotado) consegue entrar empurrando um senhora de lado, a vizinha dona Judith, a coitada cai na lama e fica para trás. Arnaldo nada percebe na sua afobação e entra arfando heroicamente alegre por ter conseguido ficar de pé.
Oito horas, chega ao centro, começa a correr, a entrevista de emprego é agora não pode perder mais essa chance. Oito e vinte chega ao local, não consegue entrar, foi escluído da seleção por se atrasar.
Irritado, deprimido, triste sai amaldiçoando a porcaria do celular. Nesse momento ele toca, ele atende:
-Alô?
do outro lado um antigo amigo que sabe da condição desfavorável de Arnaldo:
- Arnaldo? Aqui é o Paulo.
- Paulo? quanto tempo?
Paulo - Meses, eu sei, sabe estou com um lance aqui que talves te interesse. Passa aqui na firma hoje, ok?
Arnaldo - Passo, pode ser agora?
Paulo - claro, então até mais.
Arnaldo - Até.
Arnaldo então atravessa o centro a pé, no sol escaldante das nove horas da manhã de terno. consegue chegar ao escritório da firma do Paulo as nove e trinta.
Paulo o recebe e propoe uma representação comercial dos filtros "EUROPA", Arnaldo fica satisfeito com a proposta, aceita de imediato e pouco mais de uma hora depois já saia dali com um filtro, um pasta e uma dívida de Trezentos reais por estar levando o filtro.
Resolve voltar para a periferia onde conhece todo mundo e pode vender o tal filtro mais fácil.
Já são Doze e trinta e está morrendo de fome, pensa em ligar pra casa ver se tem comida, mas o celular acabou a bateria. Se convence que comerá mais tarde agora que as pessoas estão almoçando em casa é mais fácil. Chega ao seu bairro ás treze horas, começa a bater de porta em porta, ninguém o recebe bem. Recebe mais de cinquenta nãos até as dezessete horas quando toma uma água na torneira do buteco. Pensa agora em desistir, mas agora já tem a dívida do filtro e tem que vender de qualquer jeito. Vai ao setor vizinho e recebe mais uns sessenta nãos.
Irritado já são sete horas, volta pra casa, está com fome cansado e com sede.
Chega em casa encontra tudo bagunçado, telefone fora do gancho e cadê a Maria?
O filtro de café continua sujo, olha pela janela e vê a Dona Judith a vizinha gente boa que mora ao lado, pensa que resolveu seus problemas e vai lá tentar vender o filtro "EUROPA".
Dona Judith o recebe muito bem, escuta todas as suas explicações sobre o filtro e depois de quase trinta minutos chama o cachorro e solta-o sobre Arnaldo, enquanto ele se defende ela despeja sobre ele as consequências dele a ter jogado na lama pela manhã, xinga-o de todos os palavrões que conhece e por fim expulsa-o de sua casa.
Ele volta pra casa o cachorro mordeu a porcaria do celular.
Maria deve ter chegado, pois a porta está fechada, abre-a e encontra com Maria.

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