terça-feira

Vidinha

Maria chegou às nove, encontrou a casa vazia, esperava que Arnaldo tivesse feito o café, mas ele não estava em casa. Ela desempacotou as compras e colocou água para ferver pensando onde estaria o Arnaldo.
Passou o café no coador sujo de ontem, estava com preguiça de lavar, sentou-se a mesa e aproveitou o aroma forte. Depois de tomar o café resolveu sair em busca do Arnaldo.
Já são onze horas e nada, pensou: - Vou pra casa fazer o almoço, logo ele chega e depois fico sabendo onde estava.
Faz o almoço: uma porção de arroz com feijão e dois ovos fritos. Nada muito gastronômico, mas rápido ela pensa.
Duas da tarde, nada do Arnaldo, ela se enfurece e come o ovo frio dele e joga todo resto no lixo.
- Porcaria de Celular fora de área!
Quatro da tarde, ela se joga na cama aos prantos, imagina que ele a deixou, que morreu, está internado em algum hospital, incomunicável em algum canto, sequestrado!!!
Seis da tarde, liga desesperada para sua Mãe, mas ela também não atende o telefone.
Resolve sair, procurá-lo, ir a polícia, aos hospitais, necrotério, não sabe mais o que fazer.
- Oito da noite, volta para casa chorando alto, chamando a atenção dos vizinhos, da esquina avista a porta aberta e luz em casa. - Arnaldo!
Chega e não encontra ninguém, desespero total, pega o telefone e liga para policia, que a põe na espera por vinte minutos. Ela desiste.
Barulho na porta, a porta se abre e ele entra, na mão um celular quebrado na outra a pasta de vendedor de purificadores de água "EUROPA" a expressão de cansaço profundo.
Não responde a perguntas, vai na geladeira pega a garrafa de água, toma metade de uma vez e diz: - Que dia horrível! Cadê o jantar?
Maria confusa pela felicidade de revê-lo e pela raiva do desparecimento nada diz aponta para o lixo e diz - Foi mal!

Um comentário:

Anônimo disse...

Hehe... Boa! Conta mais.